Lipovetsky alerta inúmeras vezes. E um graffiter português partilha da mesma ideia (ver foto). Estamos a endeusar o consumo e a esperar dele toda a felicidade possível no mundo.
E atenção que eu não partilho das visões negras do conceito de mercado livre. Acho fundamental que exista, porque só não existe onde não há liberdade de escolha!
Mas a verdade é que se vê uma lógica quase religiosa no consumismo pós-moderno.
A mensagem que se segue lia num daqueles inúmeros e-mails que recebemos e cuja autoria se perdeu algures no caminho. Mas ficou o essencial.
Na Idade Média, as cidades adquiriam estatuto construindo uma catedral; hoje constrói-se um centro comercial. E até se podem apontar algumas semelhanças: não se pode entrar num centro comercial vestido de qualquer maneira e lá dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua ou lixo nas calçadas... Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objectos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar, sente-se no reino dos céus; se precisa de crédito, sente-se no Purgatório; se não pode comprar, certamente vai sentir-se no Inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com a mesma bebida e o mesmo hambúrguer...
Sócrates, o filósofo grego, também gostava de percorrer o centro comercial de Atenas. Quando os vendedores o assediavam, ele respondia: "Estou apenas a ver quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!".