segunda-feira, 28 de junho de 2010

Qualquer caminho serve?

A morte de um jornal não será nunca uma boa notícia - mesmo que não gostemos dele - pela simples e complexa razão de que é a morte de um ponto de vista. Ao que parece, o "24 horas" já tem destino marcado e esta será a sua última semana.

Para lá das apreciações que se podem fazer sobre a validade um conceito como o que levou ao aparecimento deste jornal, há pelo menos um lição importante a retirar deste desfecho. O "24 horas", parece-me, assinou a sua própria sentença de morte ao decidir um caminho "nim": nem era jornal, nem era revista; nem era tablóide, nem era publicação cor-de-rosa.

Ou seja, estamos perante mais uma prova de que a pior estratégia é não ter estratégia. Já dizia o coelho à Alice: se não sabes para onde vais, qualquer caminho serve.

Confesso que, pessoalmente, me deixa algo triste saber que não vou poder ver mais capas como a que publico agora. Afinal, quem é que irá informar a população portuguesa de coisas tão importantes como o estado da próstata do pai do Rui Costa?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cerveja funcional ou monumental bebedeira?

Umas das grandes tendências actuais é a proliferação dos chamados nutracêuticos ou alimentos funcionais. Produtos que, como o nome deixa adivinhar, são alimentos com características quase medicamentosas. É o caso das margarinas que combatem o colesterol ou dos iogurtes que resolvem os problemas da prisão de ventre.

Na minha humilde opinião, acho que acabou de ser criado o nutracêutico que maior potencial de sucesso tem: cerveja que faz crescer os seios!

Segundo informações divulgadas pelo “Expresso”, que cita o "Austrian Times", a cerveja búlgara Bohza ajuda a aumentar o volume dos seios.
A cerveja, composta por farinha de trigo e levedura fermentada, foi produzida com o objectivo de ajudar as mulheres que tivessem dificuldades em amamentar os filhos, sobretudo por terem um peito demasiado pequeno, e a empresa diz ter já recebido inúmeros testemunhos de mulheres que garantem que o produto funciona.

Creio que é preciso avaliar apenas duas coisas: se as mulheres que relataram os casos estavam sóbrias e qual o grau de felicidade dos bebés amamentados por estas mães.
Quantos aos homens, creio que, na generalidade, este será um dos seus produtos de eleição, dado que junta mamas e cerveja. Acho que só falta mesmo o futebol...

domingo, 13 de junho de 2010

Quantos olhos brilham ao teu lado?



Vinte minutos que podem mudar a nossa vida. Mas é preciso saber ver.

PS - É possível escolher legendas em português.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Para que serve o Parlamento?

A sabedoria popular diz que o Parlamento só serve para nos lixar (com F grande). Pelos vistos, serve mesmo para isso. Ora veja-se este post do Daniel Oliveira.

"Abaixo os organismos de cúpula, vivam os orgasmos de cópula*
Por Daniel Oliveira

Um episódio está a aquecer o Parlamento. Nada tem a ver com os deputados. A semana passada um colaborador do grupo parlamentar do PSD foi apanhado em flagrante delito, às sete da manhã, em pleno acto com uma amiga que não trabalha na Assembleia. A coisa pode parecer apenas interessante contada assim. Mas é muito mais do que isso. O acto aconteceu na sala do plenário. Infelizmente, a interrupção não terá permitido ao arrojado casal levar a fantasia até ao fim. Há sempre um empata.
Antes que a coisa saia na imprensa e comecem as condenações morais, quero deixar clara a minha admiração pelos pecadores. Porque respeito quem faz tudo para cumprir uma fantasia. Porque deram um contributo para a dessacralização do poder, aproximando assim aquele órgão de soberania das verdadeiras preocupações dos cidadãos. E porque, por uma vez, aconteceu qualquer coisa realmente interessante naquela sala (infelizmente não consegui saber qual foi a bancada escolhida). Só lamento que, como de costume, quando realmente alguma coisa de construtiva começa ali a ser feita, seja deixada a meio. O meu abraço aos dois. Próxima aventura: Palácio de Belém?

*conhecida frase anarquista que enfeitou uma rua de Lisboa"

sexta-feira, 21 de maio de 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

Onde rezas hoje?

Lipovetsky alerta inúmeras vezes. E um graffiter português partilha da mesma ideia (ver foto). Estamos a endeusar o consumo e a esperar dele toda a felicidade possível no mundo.

E atenção que eu não partilho das visões negras do conceito de mercado livre. Acho fundamental que exista, porque só não existe onde não há liberdade de escolha!

Mas a verdade é que se vê uma lógica quase religiosa no consumismo pós-moderno.
A mensagem que se segue lia num daqueles inúmeros e-mails que recebemos e cuja autoria se perdeu algures no caminho. Mas ficou o essencial.

Na Idade Média, as cidades adquiriam estatuto construindo uma catedral; hoje constrói-se um centro comercial. E até se podem apontar algumas semelhanças: não se pode entrar num centro comercial vestido de qualquer maneira e lá dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua ou lixo nas calçadas... Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objectos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar, sente-se no reino dos céus; se precisa de crédito, sente-se no Purgatório; se não pode comprar, certamente vai sentir-se no Inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com a mesma bebida e o mesmo hambúrguer...
Sócrates, o filósofo grego, também gostava de percorrer o centro comercial de Atenas. Quando os vendedores o assediavam, ele respondia: "Estou apenas a ver quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!".